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“Uma sociedade para se afirmar 

precisa de um projecto consistente de cultura e de ciência” (Manuel Antunes)



CLEPUL
CENTRO DE LITERATURAS E CULTURAS LUSÓFONAS E EUROPEIAS DA FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA


O CLEPUL é um dos Centros de Investigação portugueses mais antigos dedicado aos estudos literários, tendo a idade da Democracia em Portugal. Integrado, desde 2010, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, é financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), antes Junta Nacional de Investigação Científica (JNICT). É o primeiro centro nacional liderado por um Investigador (do Programa “Ciência” 2008).

Criado por Jacinto Prado Coelho, professor e investigador da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, na sequência da Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, com o nome de Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa, foi pioneiro na investigação das Literaturas Lusófonas, tendo, assim, contribuído para a sua integração na academia portuguesa como área de especialização. Também inovador foi o modo como conjugou a tradição de estudos filológicos e a novidade das propostas estruturalistas e da sociologia da leitura, que, na época, entusiasmavam a Europa central. 

Os projetos iniciais corresponderam, pois, a esse ideário expresso no nome: o estudo das diferentes Literaturas de Língua Portuguesa (Portuguesa, com destaque para os estudos camilianos, Africana e Brasileira) e da problemática da Sociologia da Leitura (projeto dirigido por Jacinto Prado Coelho, esse foi um dos primeiros e mais inovadores na investigação e na edição, levado a cabo então com o apoio da JNICT). 

A rota traçada pela fundação foi prosseguida pelas lideranças subsequentes (Fernando Cristóvão, Maria Lúcia Lepecki, Manuel Ferreira, Alberto Carvalho e Maria de Lourdes Ferraz), afirmando e reforçando o CLEPUL no espaço das unidades de I&D nacionais. 

No início do novo milénio, com a transformação das políticas culturais europeias, dos recursos tecnológicos e das perspetivas científicas, o CLEPUL, sob a direção de Annabela Rita, continuada até hoje por José Eduardo Franco e Ernesto Rodrigues, respondeu a novos desafios, transformando o seu horizonte de investigação (da Literatura às Artes, às Ciências e à Cultura em geral, da Lusofonia à Europa, da ensaística à sua articulação com a criação literária e artística), a sua estratégia de política científica e cultural e a sua massa crítica. 

A investigação iniciada manteve-se (com destaque para Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós e Padre António Vieira, na literatura portuguesa, além de outros grandes autores lusófonos, ao lado da edição de fontes inéditas e de obras de referência, incluindo obras completas de grandes figuras da História da Cultura Portuguesa), acrescida de estudos interartísticos, sobre o imaginário da cultura, e a interculturalidade do mundo ibérico e do mundo eslavo. A atenção às circunstâncias sociológicas da leitura da literatura portuguesa a que dedicou um projeto inicial persistiu e transformou-se: por um lado, passou a ocupar-se também da didática da literatura e da literatura infanto-juvenil; por outro, integrou o trabalho sobre as literaturas e culturas orais e tradicionais; por outro ainda, acolheu a reflexão sobre o empreendedorismo, vendo nele um dos motores de inovação e da cultura portuguesa. 

A problemática das identidades estéticas e culturais nacionais e transnacionais que consagrou na sua designação passou a orientar toda a reflexão, unindo a diversidade e a multiplicidade da investigação de grupo ou mais individual. Na mudança de nome (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias) sufragado pela Comissão Científica em 2011, mas mantendo a sigla, representou a sua história e a sua nova realidade científica.

Ao longo da primeira década do séc. XXI, o CLEPUL redimensionou-se com a entrada de um número significativo de investigadores de outras áreas das ciências sociais e humanas, fundou 5 pólos noutras universidades portuguesas e estrangeiras (Brasil), vinculados aos Grupos de Investigação com maior identificação, criou uma vasta rede de intercâmbio científico e começou a notabilizar-se através da conjugação de iniciativas de grande dimensão (obras colectivas e congressos internacionais, pioneiros na transversalidade da abordagem e na sistematicidade da aproximação inter e multidisciplinar) e de outras de formato mais reduzido (obras individuais, antologias críticas, edições de autores, exposições multimédia e online), com destaque para um inovador movimento de Tertúlias Letras Com(n)Vida, pequenos colóquios de debate e divulgação com especialistas, fazendo a ponte entre a academia e a sociedade e promovendo a transmissão do conhecimento, além de constituírem um laboratório de ensaio de reflexão diversa. 

A qualidade, a quantidade e a diversidade do trabalho e da produção científicos do CLEPUL (inclusivamente, com a Biblioteca online LUSOSOFIA-LUSOFONIA) deram-lhe notoriedade aquém e além fronteiras, para o que também contribuiu a participação dos seus membros em Júris de Prémios literários, a criação do Prémio Jorge de Sena e de uma Medalha de Mérito Cultural (atribuída a diversas personalidades nacionais, incluindo a todos os Diretores que precederam José Eduardo Franco). 

Nos anos mais recentes, o Centro tem promovido a formação de jovens investigadores (fundando, até, o Círculo de Cipião – Academia de Jovens Investigadores) através da sua integração em projetos de edição de obras completas (Manuel Antunes, Mário Martins, Diogo de Teive, Fernão de Oliveira, etc.) e de seminários. 

Particular destaque ganhou o CLEPUL com a liderança da preparação e publicação do projeto “Vieira Global” que, pela primeira vez, editou a obra completa do Padre António Vieira, o “Imperador da Língua Portuguesa” (Fernando Pessoa), com um espantoso número de inéditos encontrados numa longa e internacional campanha de pesquisa arquivística. A edição do Círculo de Leitores, em 30 volumes, saiu também no Brasil, nas Edições Loyola. Uma antologia do grande jesuíta está em curso de tradução em vinte e uma línguas. 

Com edição a partir de 2017, o Círculo de Leitores lançará, em 30 volumes, setenta e dois títulos que constituem as Obras Pioneiras da Cultura Portuguesa, coordenadas por José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais. 

O CLEPUL tem concorrido para o desenvolvimento e promoção de áreas culturais específicas, como é o caso da Associação Internacional de Estudos Ibero-Eslavos – CompaRes, Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes e a Cátedra Convidada FCT Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares e a a Globalização. Dele emergiu a banda de investigação Ai Deus i u é, ao mesmo tempo que desenvolve uma estratégia de parcerias institucionais mais constantes para reforço da sua inscrição em algumas áreas do seu interesse: a Sociedade Portuguesa de Autores (na Tertúlia Letras Com(n)Vida) ou o Coro Mozart, sinalizando a atenção ao diálogo estético no seu mais amplo sentido. 

O alcance de algumas das suas iniciativas teve, aliás, um efeito modelizador que extravasa as fronteiras tradicionais de esfera de influência do Centro: o Dicionário Histórico das Ordens e o Dicionário dos Antis estão a ser realizados já no Brasil, em Angola, Moçambique e em França; note-se igualmente a projeção da Obra Completa do Padre António Vieira, das Tertúlias Letras Com Vida, os eventos muito concorridos de apresentação anual de grandes obras na Reitoria da Universidade de Lisboa, mas também noutras reitorias, centros e faculdades de universidades do país e estrangeiras, e ainda o estabelecimento da ligação com o ensino secundário (Escola Secundária Pedro Nunes); e da forma como o diálogo entre as Letras e a Medicina se passou a observar também no quadro das letras universitárias (com o Colóquio Internacional “Medicina e Narrativa: Doença e Diálogo” (2010), conferências “Narrativa e Medicina 2011”, etc.).  

No seu desenvolvimento, o CLEPUL tem demonstrado seguir e, em certos casos, antecipar os princípios, valores e orientações científicas nacionais e europeias: aumento da massa crítica, interdisciplinaridade, interinstitucionalidade, internacionalização e intergeracionalidade.





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