"O Desmemoriado de Collegno" na Cultura Lusófona e Global

O Desmemoriado de Collegno na Cultura Lusófona e Global (Projeto de Fabrizio Boscaglia)

Este projeto visa pesquisar, estudar, organizar, editar e divulgar o património literário e cultural relativo ao caso de crónica italiana conhecido como “O Desmemoriado de Collegno”, acontecido entre as décadas de 1920 e 1930 em Itália, na cidade de Collegno, perto de Turim. Tratou-se de um muito debatido caso de um homem que, declarando-se amnésico (isto é, desmemoriado), afirmava não saber quem era e acabou por ser “reconhecido” pela família do professor e filósofo italiano Giulio Canella, entretanto desaparecido na Primeira Guerra Mundial. O “Desmemoriado”, ao ser reconhecido com o professor Canella, aceitou ser este, passando a declarar que estava a “recuperar” a memória perdida. Outra família, a do tipógrafo e criminoso Mario Bruneri, passo ela também a reconhecer o “Desmemoriado”. Este negou ser Bruneri e continuo durante toda a sua vida a declarar-se enquanto sendo o professor Canella, apesar de todas as provas científicas (impressos digitais, etc.) confirmarem a sua identidade enquanto completamente correspondente à do tipógrafo. Encontrando-se no olho do furacão da imprensa e das polémicas judiciárias por causa desta dupla ou falsa identidade, o “Desmemoriado” afastou-se da Itália e foi viver enquanto professor Canella, juntamente com a mulher Giulia Canella, no Brasil, onde também se tornou numa figura mediática. Na sua história de ficções, identidades multiplicadas e memórias perdidas, foram inspiradas obras de escritores e intelectuais em Itália, no Brasil e em várias outras partes do mundo. Este projeto visa, pela primeira vez, estabelecer o corpus literário do “Desmemoriado de Collegno”, editá-lo, estudá-lo e divulga-lo juntamente com as obras a ele dedicadas em outras áreas (cinema, arte, etc.).