Fastigínia

Autoria: Tomé Pinheiro da Veiga
Título: Fastigínia
Local: Lisboa
Edição: CLEPUL
Data: 2011
ISBN: 978-989-96443-8-0









Edição, estudo, variantes e notas por Ernesto Rodrigues.

FASTIGÍNIA alicerça uma renovada visão da novelística portuguesa, enquanto questiona a identidade nacional, em tempo de Monarquia Dual brilhando em Valladolid (1605). Um narrador privilegiado assiste ao nascimento do futuro Filipe IV de Espanha e às cerimónias, festas, torneios e jogos que acompanharam a alegria de Império também a ratificar pazes com Inglaterra, assim emergindo um olhar agudo sobre a política doméstica e internacional. Desde 1884, todavia, rasgos cervantescos trazidos a lume em tradução parcial de Pascual de Gayangos fizeram desta obra luxuriante a voz primeira na receção universal do Quixote. Eis alguns motivos que justificavam a edição de Sampaio Bruno, Fastigimia, em 1911. Partindo de um só manuscrito, Bruno deu um texto inçado de erros e deficiências que a tradução castelhana de Alonso Cortés, desde 1913 (em livro, 1916), veio atenuar. Aquando da reedição, fac-similada, daquela (1988, 2009), eram conhecidos nove manuscritos. Díaz-Toledo (2007) acrescentou um décimo. E nós achámos três, perfazendo treze manuscritos – dez em Portugal, e em Madrid, Paris, Londres –, sobre que assenta a presente edição, que ainda olha a quatro impressos (dois, parciais).

“Qué libro tan ameno y entretenido!”, exclamou D. Marcelino Menéndez Pelayo. E Hernâni Cidade: “Tomé Pinheiro da Veiga deve ser considerado como um dos melhores escritores do seu tempo”. Sentirá isso quem ler este polifónico Turpim, “notável escritor, mais próximo da língua coloquial do que Rodrigues Lobo ou Fr. Luís de Sousa”, da envergadura de D. Francisco Manuel de Melo, como disse A. J. Saraiva.