Visitas Guiadas – Gárgulas: Função e Forma
Do Céu ao Solo
Sábados de Julho de 2018

No próximo mês de Julho desenvolveremos visitas guiadas no Mosteiro de Santa Maria da Vitória sobre a temática do sistema hidráulico superior e as gárgulas.

O sistema hidráulico é um subsistema arquitectónico, que pode ser compreendido atendendo ao seu duplo desenvolvimento: Um primeiro que se refere à água potável, ao nível do solo (Sistema hidráulico inferior), e um segundo que compreende as águas pluviais (Sistema hidráulico superior). No entanto, nestes dois subsistemas deparamo-nos com três aspectos comuns com elevada importância para a funcionalidade de qualquer edifício: Captação, distribuição e evacuação.

No sistema hidráulico Superior no Mosteiro de Santa Maria da Vitória encontrámos três soluções hidráulicas, sendo que uma primeira  diz respeito à igreja e Capelas de D. Duarte, segunda encontra-se virada para o exterior do edifício e a  terceira solução está presente no claustro de D. Afonso V.
As campanhas de restauro levadas a cabo no século XIX, mostram-nos que se tratou de um restauro levado a cabo inicialmente por Luiz da Silva Mouzinho de Albuquerque, entre 1840 e finais do século XIX. Mouzinho de Albuquerque baseou-se na obra de James Murphy que pode ter acrescentado alguns pormenores artísticos nas plantas uma vez que quando este arquitecto teve na Batalha o edifício encontrava-se em muito mau estado, devido entre outras coisas ao Terramoto de 1755.

Com tudo isto os critérios de utilizados para a avaliação da autenticidade das gárgulas são: Peças sujeitas a desgaste, Função, Material utilizado, aspecto, plástico e iconográfico, como também a comparação com outros monumentos. Assim sendo: Encontrámos o registo desse restauro em algumas pedras das gárgulas que compõem o edifício: 1852, 1862 e 1849.

Na nossa opinião, não existe um programa iconográfico global, no que respeita às gárgulas existentes no mosteiro de Santa Maria da Vitória, devido em parte às várias campanhas de restauro que este edifício sofreu a partir do século XVIII, com Luís da Silva Mouzinho de Alburquerque.
Quanto á iconografia das gárgulas daremos alguns exemplos entre eles: Gárgula representada com uma boca muito aberta que parece engolir ou expulsar uma cabeça de bebé, a figura ajuda a boca a abrir-se com as mãos e exibe os seios por baixo de um manto com capuz, o mais interessante desta gárgula é o facto de a água ser expulsa através dos olhos do bebé.

Informações:
Preço: 10€ por pessoa;
Hora de encontro: 10h30; 11:30; 14:30; 15:30
Ponto de Encontro: Portal principal da igreja de Santa Maria da Vitória


CV de Apresentação:

Patrícia Alho licenciou-se em História (Universidade Lusíada) no ano de 2004, obteve o grau de Mestre em Arte, Património e Restauro (Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) em 2008 e o grau de Doutor na mesma área cientifica e faculdade no ano de 2016. Autora da obra “As Gárgulas no Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Função e Forma”, publicada pela Câmara Municipal da Batalha em 2010. Participou em vários Congressos, Seminários e Encontros, desde o ano de 2010, tanto em Portugal como em Espanha, nos quais publicou vários artigos científicos. Em 2012 fez parte do grupo de investigação do Projecto “Magister – Arquitectura Tardo-gótica em Portugal: Protagonistas, modelos e intercâmbios artísticos (Séc. XV-XVI)”, e no ano seguinte participa no grupo de investigação do projecto “Da cidade sacra à cidade laica. A extinção das ordens religiosas e as dinâmicas de transformação urbana na Lisboa do século XIX”. Investigadora Responsável do Projecto AquaMafra (Fundação Calouste Gulbenkian - 2017). Comissária da Exposição no Museu Nacional de Arte Antiga, “AQUA. Faianças da Colecção o MNAA” em 2015. Participa como investigadora no ARTIS (FLUL), CLEPUL (FLUL) e CITAD (Universidade Lusíada). Faz parte da na Comissão Externa de Avaliadores dos Cadernos do Arquivo Municipal de Lisboa. Coordenadora do Gabinete de Estudos: “História, Arte e Cultura da Água” pertencente ao CLEPUL e Coordenadora da Linha de investigação: A aplicação do mármore na arquitectura hidráulica”, DO PROJECTO PHIM (CECHAP).