A Câmara Municipal da Sertã, a Cátedra Infante Dom Henrique para os Estudos Insulares Atlânticos e a Globalização, sediada na Universidade Aberta, o Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian e o Instituto Europeu de Ciências da Cultura Padre Manuel Antunes, em cooperação com outras instituições científicas e culturais nacionais e internacionais, vão promover, com ampla projeção, nos dias 2, 3​, 4, 5 e 6 de novembro, o Congresso Internacional Repensar Portugal, a Europa e a Globalização: 100 Anos Padre Manuel Antunes, sj, a ter lugar na​ ​ Assembleia da República, na F​undação Calouste Gulbenkian e na Casa da Cultura da Sertã.

O presente Congresso faz parte de um conjunto de iniciativas que ​visam assinalar o Centenário Antunesiano e que ​irão ajudar a refletir criticamente ​sobre ​a cultura portuguesa, em articulação com as culturas europeias e os grandes desafios da globalização, tendo como pano de fundo o Pensamento e a Obra do Padre Manuel Antunes (1918-2018).

Para mais informações, consulte-se o cartaz e o site: http://centenariopadremanuelantunesj.pt


Convidamos à presença e à participação. Agradecemos ampla divulgação.

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Padre Manuel Antunes, sj
por José Eduardo Franco

O Padre Manuel Antunes (1918-1985) foi um mestre excepcional que marcou para toda a vida milhares de estudantes que, ao longo de mais de um quarto de século, passaram pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A sua memória continua viva e a iluminar o caminho de quantos o conheceram, ouviram e leram.

Nos tempos difíceis que a sociedade atravessa, parece de elementar bom senso o regresso ao silêncio criador em que se possam escutar palavras de sabedoria que nos ajudem a redescobrir os valores fundamentais e a “Repensar Portugal”. Neste contexto, a atualidade de Manuel Antunes, em vez de nos fixar no passado irremediavelmente desaparecido, deve reconfortar a nossa vontade de futuro, apetrechando-a com o sentido das coisas essenciais, tão facilmente corroído pelo acessório e pela sedução do superficial.

De entre os créditos associados à memória do mestre notável, contam-se o perfil de humanista, a escuta atenta dos sinais dos tempos, a disponibilidade para ouvir o outro e compreender as diferenças, a procura do essencial na floresta do efémero, o espírito de tolerância, a opção pelo que aproxima e une em vez do que pode afastar e dividir, o gosto do universal cultivado no conhecimento do singular, a arte da síntese que não despreza a paciência da análise nem o enraizamento concreto, a consciência de cidadania vivida com responsabilidade e vigilância. Estes são alguns dos muitos traços que fazem do percurso intelectual e cívico de Manuel Antunes uma referência de cultura, que a sociedade portuguesa não pode perder de vista se quiser manter a sua identidade e vencer a batalha do futuro.