LITERATURA (NOVI)LATINA

Coordenação: José Carlos Lopes de Miranda

O léxico das línguas latinas espelha hoje não só os vernáculos originários, formados a partir do latim vulgar, mas também a influência da revisitação do latim clássico. As afinidades entre ambos os estratos (presente, v.g., “plano” e “chão”, “íntegro” e “inteiro”, “clave” e “chave”) escapam ao falante de hoje e aos próprios professores da língua-mãe, recentemente excluídos, em termos práticos, de uma mínima iniciação, mesmo tardia, ao latim. O fenómeno implica já de si uma perda de autoconsciência e, portanto, de vitalidade linguística. Mas, indiretamente, faz-se acompanhar nos estratos mais eruditos por uma amnésia cultural cujos efeitos urge mitigar.

É que, não só no léxico, mas também nos seus textos estruturantes, as Culturas Europeias foram sendo desenhadas em dois estratos, o vernáculo e o latino. E no preciso momento em que essas Culturas são desafiadas a alicerçar um edifício político duradoiro à altura do sonho europeu do pós-guerra, veem barrado o acesso ao estrato novilatino dos seus corpora literários, precisamente aquele em que mais facilmente poderiam ouviriam a consonância de identidades de uma comum Cultura Europeia.


Objetivos gerais:

Os eruditos a quem competiria a respetiva transmissão — filósofos, teólogos, cientistas, juristas, músicos, artistas plásticos, arquivistas, etc. — sentem-se frequentemente, ao empreender os seus estudos, impotentes e cegos ante as próprias fontes. A solução credível, do ponto de vista científico, passará necessariamente por uma iniciação tardia ao latim e pela conversão do nosso sistema universitário das línguas clássicas, aliás já em curso, a essa humilde função. Entretanto, porém, o Gabinete de Literatura (Novi)latina quer ir pondo-lhes à disposição os textos latinos que estruturam a Cultura Portuguesa. Não o faz para dispensar a solução duradoura mas para pôr a salvo uma amostras mínimas no momento em que rareiam os últimos herdeiros de uma iniciação relativamente precoce ao latim.


Objetivos específicos:

Do labor do Gabinete, e do seu projeto “Fontes (Novi)latinas da Cultura Portuguesa”, resultaram até agora os dois primeiros números da Coleção NOVILATINA:

Diogo de Paiva, Antologia, versão do latim e notas de António Guimarães Pinto, Esfera do Caos, Lisboa, 2011.
Diogo de Teive, Obra Completa, com organização, versão do latim e notas de António Guimarães Pinto, Esfera do Caos Ed., Lisboa, 2012.
No Biénio 2013-2014, toda a capacidade de trabalho do Gabinete esteve empenhada na edição da Obra Completa do Padre António Vieira, com a fixação, versão e anotação dos textos latinos disseminados pelos seus 30 volumes.


O projeto prosseguirá com:

A Edição Bilingue da Epistolografia Latina do Padre António Vieira.
A Edição Bilingue do Tratado dos Dons do Espírito Santo de Frei João de S. Tomás.
A Edição Bilingue dos Historiarum Libri Decem de Orósio de Braga.


Investigadores

José Carlos Lopes de Miranda
António Guimarães Pinto
Ricardo Ventura


Consultores

Pedro Calafate
Fernando Cristóvão
Margarida Miranda
Carlota Urbano
António Melo