GABINETE EM ESTUDOS DE GÉNERO

Coordenação: Fabio Mario da Silva 

O Gabinete tem por objetivo estudar e investigar as múltiplas vertentes interdisciplinares dos estudos de género no mundo ocidental. Lembremo-nos que o próprio termo “género” tem gerado diversas conjeturas. Por exemplo, na língua inglesa, o termo “gender” surgiu na década de 70, na senda dos movimentos feministas, e foi, posteriormente, adotado pelos cientistas sociais nos anos 80 do século XX para se referirem à construção social em torno do masculino e do feminino, analisada sob a ótica de diferentes culturas. Contudo, seria em 1968, com Sex and Gender de Robert Stoller, que se assinalaria a origem deste conceito, problematizado, depois, pelos estudos feministas e pelas teorias queers. Lembremo-nos que, em português e em italiano, a palavra parece passar por alguma indefinição, registada em dicionários, já que nessas línguas “gender” (ou melhor dizendo, a sua tradução: “género/genere”) pode ter diferentes aceções, percorrendo o campo literário ou gramatical e inclusive designar “gosto, classe ou estilo”. Aliás, nas línguas românicas, o termo “genere/género”, e ao contrário do inglês “gender”, não contém o conceito de neutro; ou seja, ignora a existência de outra condição além do masculino e do feminino, já que tal conceito não faz parte das culturas neolatinas. Assim, “género/genere” parece definir uma estrutura dicotómica, puramente binária, gerando imensas confusões, principalmente quando os Estudos de Género se ocupam de contextos trans-géneros, e não binários. 

Esta mudança e flutuação do conceito acontecem, segundo Judith Butler, porque para cada sociedade e contexto histórico este vocábulo é entendido de modos diferentes, sendo uma das propostas centrais de Butler, no seu famoso texto Gender Trouble (1990), a de desconstruir o conceito divisório entre “género” e “sexo”, termos que podem ser tomados como sinónimos, mas que de facto não o são. 

Quando falamos de “sexo”, referimo-nos a um conjunto de características biológicas, hormonais e físicas que definem a pessoa como homem, mulher ou intersexo. Quando falamos de “género”, referimo-nos a construções sociais, muitas vezes impostas culturalmente. Por isso, o conceito de género é fluido, depende da época histórica, do ambiente cultural, do país. 

A antropóloga americana Gayle Rubin (1975) usa pela primeira vez a expressão “sex/gender system”, que, como ela afirma, é “the set of arrangements by which a society transforms biological sexuality into products of human activity, and in which these transformed sexual needs are satisfied.” Porém, será Joan Scott (1989) a dar o definitivo sentido ao conceito, analisando a diferença entre sexo e género de um ponto de vista histórico-social a partir da análise linguística. Partindo desta premissa, este gabinete tem por objetivo, através de congressos, da publicação da investigação efetuada por seus membros e de edição ou reedição de textos-chave, para além de aumentar a conscientização pública - principalmente do mundo em língua portuguesa – de importantes aspectos da condição histórico-social das mulheres, também dar a conhecer autoras/es, muitos delas/es esquecidas/os, ignoradas/os ou subvalorizadas/os pela crítica e pela academia por razões de género e/ou orientação sexual.



Membros da equipa:

Adriana Mello Guimarães 

Algemira Mendes

Chris Gerry 

Debora Ricci 

Ednaldo Cândido Moreira Gomes

Fernando Cascais

Henrique Marques Samyn 

Isa Severino 

Jorge Valentim 

Juliana Maia de Queiroz 

Lina Arao

Moizeis Sobreira 

Paulo Geovane e Silva 

Rosa Fina 

Vanessa Castagna



Projetos em curso:

A partir de um projeto, iniciado por nós em Lisboa em 2014, do qual resultou a realização de cinco congressos (em Lisboa, Nápoles, Lisboa, Viterbo e Lisboa), envolvendo participantes de todo o mundo e a publicação de dois ebooks, entre outras iniciativas, muito temos discutido sobre as problemáticas de género na língua, literatura e cultura de países falantes de português e italiano. 

Neste sentido, em parceria com outras instituições (nomeadamente o Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades da Universidade de Évora – CIDEHUS), o gabinete desenvolve o projeto de longa duração e abrangência intitulado História da Cultura e Literatura de Autoria Feminina em Portugal, com direção geral de Fabio Mario da Silva.



Obras publicadas na área de estudos de género e/ou edições de escritoras:

  • Livro de mágoas, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Cláudia Pazos Alonso e Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Editorial Estampa, 2012.
  • Livro de Soror Saudade, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Cláudia Pazos Alonso e  Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Editorial Estampa, 2012.
  • Charneca em Flor, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Cláudia Pazos Alonso e Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Editorial Estampa, 2013.
  • Os Estudos de Género na Perspetiva Ibérica e Eslava, Organização de Beata Cieszýnska e Fabio Mario da Silva, Lisboa, CLEPUL, 2014, (disponível aqui).
  • O Feminino nas Literaturas Africanas em Língua Portuguesa, Organização de Fabio Mario da Silva, Lisboa, CLEPUL, 2014, (disponível aqui).
  • As Máscaras do Destino, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Cláudia Pazos Alonso e Fabio Mario da Silva, Direção científica Ana Luísa Vilela, Lisboa, Editorial Estampa, 2015.
  • A função das personagens femininas em O Físico Prodigioso, de Jorge de Sena, Fabio Mario da Silva, Lisboa, CLEPUL, 2015 (disponível aqui).
  • Memorial da infância de Cristo e Triunfo do Divino Amor (primeira parte), Soror Maria de Mesquita Pimentel, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario Da Silva, São Paulo, Todas As Musas, 2016.
  • Feminino plural: literatura, língua e linguagem nos contextos italianoe lusófono / Femminile Plurale: letteratura, lingua e linguaggi in ambitolusofono e italiano, Organização de Debora Ricci, Annabela Rita, Ana Luísa Vilela, Isa Severino, Fabio Mario da Silva, Lisboa, CLEPUL, 2016 (disponível aqui).
  • Memorial dos Milagres de Cristo e Triunfo do Divino Amor (segunda parte), Soror Maria de Mesquita Pimentel, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, São Paulo, Todas As Musas, 2017.
  • Repensar o feminino em contexto lusófono e italiano / Ripensare ilfemminile in ambito lusofono e italiano, Organização de Debora Ricci, Fabio Mario da Silva, Livia Apa, AnaLuísa Vilela, Annabela Rita, Lisboa, CLEPUL, 2017 (disponível aqui).
  • O Feminino e o Moderno, Organização de Ana Luísa Vilela, Fabio Mario da Silva e Maria Lúcia Dal Farra, Lisboa, CLEPUL, 2017 (disponível aqui).
  • Diálogos no Feminino. Antologia Poética Maria Pawlikowska-Jasnorzewska – FlorbelaEspanca/Dialogi kobiece. Antologia Poezji Maria Pawlikowska-Jasnorzewska – Florbela Espanca, Redação científica de Beata Cieszynska, Fabio Mario da Silva, Anna Kalewska, Maria Lúcia Dal Farra, Gabriel Borowski, Coleção Biblioteca Ibero-Eslava, CLEPUL/Univ. de Varsóvia, Lisboa/Varsóvia, 2017, (disponível aqui).
  • Narrativas de Mulheres em Língua Portuguesa, Organização de Moizeis Sobreira, Fabio Mario da Silva e Ezilda Maciel da Silva, Lisboa, CLEPUL, 2018 (disponível aqui).
  • Prosa e Poesia, Judith Teixeira, Notas e estudos introdutórios de Cláudia Pazos Alonso e Fabio Mario da Silva, Lisboa, Dom Quixote, 2015 (com apoio e edição da Dom Quixote).
  • Literaturas, Interseções de Gênero e Outras Linguagens, Organização de Algemira Mendes, Fabio Mario da Silva, Joselita Jesus, Sebastião Lopes, Teresina, EdufPi, 2018 (com o apoio e edição da Universidade Estadual do Piaui).
  • Judith Teixeira. Ensaios críticos. No centenário do Modernismo, Organização de Fabio Mario da Silva, Annabela Rita, Maria Lúcia dal Farra, Ana Luísa Vilela, Ana Maria Domingues, Lisboa, Edições Esgotadas, 2017 (com apoio e edição das Edições Esgotadas).
  • Visitações de A Dama e O Unicórnio de Maria Teresa Horta, Anabela Galhardo Couto, Rodrigo Sobral Cunha, Fabio Mario da Sila, Lisboa, CLEPUL/Universidade Europeia, 2019 (com apoio, parceria e edição da Universidade Europeia).



Obras no prelo (previsto para 2019):

  • Memorial da Paixão de Cristo e Triunfo do Divino Amor (terceira parte), Soror Maria de Mesquita Pimentel, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva e Ednaldo Cândido Moreira Gomes, São Paulo, Todas As Musas.
  • Estudos de género em contexto lusófono e italiano: debates e reflexões  / Studi di Genere in ambito lusofono e italiano: dibattito e riflessioni, Organização de Fabio Mario da Silva, Debora Ricci, Annabela Rita, Ana Luísa Vilela, Cristina Rosa e Vanessa Castagna. Lisboa, CLEPUL.
  • Antologia “EROS das ERAS”, Organização Algemira Mendes, Fabio Mario da Silva e Marleide Lins. Teresina, Avant Garde Edições (com apoio e edição da NELIPI/UESPI e a Avant Garde Edições).
  • Dicionário Florbela Espanca, Jonas Leite, Maria Lúcia Dal Farra, Fabio Mario da Silva, Edições Esgotadas (com apoio e edição das Edições Esgotadas).
  • Antologia Poética de Maria Lúcia dal Farra, Organização e estudos introdutórios de Ana Luísa Vilela e Fabio Mario da Silva (com apoio e edição das Edições Esgotadas).
  • Diário/O Dominó Preto, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Edições Esgotadas (com apoio e edição das Edições Esgotadas).



Obras a publicar:

  • Esparsos, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Edições Esgotadas.
  • Epistolografia, Obras Completas de Florbela Espanca, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, Direção científica de Ana Luísa Vilela, Lisboa, Edições Esgotadas.
  • Antologia Poética. Ada Negri e Florbela Espanca, Organização de Fabio Mario da Silva, Debora Ricci, Maria Lúcia dal Farra e Michelle Vasconcelos.
  • Deolinda e Deonel (Manuscrito Inédito Do Século XVIII), Organização de Maria Do Livramento Spence, Moizeis Sobreira e Fabio Mario da Silva.
  • 100 Anos da Literatura de Sodoma, António Botto, Judith Teixeira e Raul Leal, Organização de Fernando Cascais e Fabio Mario da Silva.
  • Diálogo de duas jovens, Luisa Sigea, Organização e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva e Ednaldo Cândido Moreira, Tradução e notas de Alexandra Caroços (com apoio e edição do Centro de Estudos Clássicos – FLUL).
  • Obra Crítica Completa da Marquesa de Alorna, Direção de Vanda Anastácio, volume Problemáticas de Género (textos inéditos), Marquesa de Alorna, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, Tradução de Vanda Anástacio (com apoio e edição da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna).
  • Obra Completa de Ana Augusta Plácido, Organização, notas e estudos introdutórios de Fabio Mario da Silva, Adriana Mello Guimarães, Direção científica de Ernesto Rodrigues (com a colaboração da Casa Camilo).



Congressos:

2019



2018



2013-2017



Congressos em preparação:

  • VI Congresso Internacional em Estudos de Género no Contexto Italiano e em Língua Portuguesa, Foggia, Itália
  • II Congresso Internacional | Um Reino de Mulheres: Expressões literárias, culturais e artísticas nas instituições monástico-conventuais femininas, Paris.