Coordenação: Dionísio Vila Maior

No mundo contemporâneo, marcado pela mobilidade e pela facilidade de comunicação e em que o homem é o total das contribuições e tradições culturais múltiplas com as quais entra em contacto, é pertinente refletir sobre o espaço da lusofonia, também ela constituída por uma pluralidade de visões e formas de estar, verdadeiro território multicultural, em que vivem as “coisas que são uma só no plural dos nomes”, como escreve Herberto Hélder no poema “Musas Cegas” (A Colher na Boca, Lisboa, Ática, 1961).

Esta reflexão é ainda mais necessária numa era em que vivemos o declínio da lucidez a favor de soluções prontas e pensamentos já elaborados. Podem a lusofonia e os países lusófonos oferecer uma visão do diálogo como negociação, às vezes mais, às vezes menos tolerante, mas de franca transação? 

Há, assim, que estudar o multiculturalismo no mundo lusófono, na criatividade e produtividade presentes nas potencialidades das várias normas do português e nas literaturas lusófonas, numa língua aberta que une culturas, de forma bem mais eficaz do que os tratados políticos.